Gasto uma quantidade absurda de esforço tentando ser um cara legal.

Essa é uma constatação que faço, quando, em uma conversa, eu consigo ver alguns sinais na expressão da pessoa, algum sinal de que está gostando do que está ouvindo. Meio que falo alguma coisa buscando um sorriso, um alivio ou algo semelhante.

É como se fosse uma estratégia, algo para quebrar o gelo, coisa assim.

Cheguei à conclusão que há um esforço sim. É um esforço super sutil, está fora da consciência na maioria dos momentos, e que chega a ser quase meu jeito natural de ser.

Faço vários estratagemas para que isso aconteça - essa aprovação - e se for ver bem a fundo muita coisa da minha vida foi feita pra ter isso (talvez a mancha dessa atitude esteja na quase totalidade das coisas que já fiz).

Eu estava lendo o conceito de “Louca Sabedoria” no livro do mestre Chögyam Trungpa. Esse conceito remete a um estado de ser completamente comprometido com a verdade (não qualquer verdade, a Verdade com V maiúsculo). Quando perguntado em que a loucura comum difere da Louca Sabedoria, ele diz:

No caso da loucura comum, estamos constantemente tentando ganhar o jogo. Podemos até mesmo tentar transformar a loucura em alguma espécie de credencial para seguirmos adiante. Podemos tentar magnetizar pessoas com paixão ou destruí-las com agressão, etc. Há um jogo constante acontecendo na mente. O jogo da mente - estratégias constantes acontecendo - pode nos dar algum tipo de alívio ocasional, mas esse alívio precisa ser mantido com uma agressão cada vez maior. Esse tipo de loucura tem que se sustentar o tempo todo, continuamente.

Agora, no meu caso, vejo muito claramente com as relações sociais.