A morte não existe
Esses dias alguém me solta essa frase: “a morte não existe, é uma ilusão”. Ela chegou e impactou. Eu sinto que pode ter dois pontos de vista pra explicar:
- A consciência não acaba com a morte. Sendo assim, a morte realmente não existe - a experiência da consciência vai continuar.
- A consciência acaba com a morte. Sendo assim, a morte também não vai existir (como experiência diferente do viver). Toda a experiência consciente é estar vivo.
De certa forma, me dar conta disso (ou me lembrar disso - a morte não existe) dá um certo alento. Mostra que a morte, na verdade é uma abstração, uma antecipação de um futuro que não está aí.
“Pale Blue Dot”, uma foto da Terra vista a partir de Saturno, fotografada pela sonda estaduindense Voyager 1.
Vale a pena ver esse video, originalmente da série de TV Cosmos, do Carl Sagan.
Mudança
Mudança. Meio enrolado, coisas que levam muito tempo pra arrumar
Algo acontece, uma vontade de não querer estar em outro lugar, vontade de desligar os podcasts, prestar atenção em outras coisas. “preciso me focar aqui”.
Algo muda.
…
Olhando o cachorro, começo meio que a sentir mais de perto o que o cachorro está sentindo. Vejo medo dele ao olhar pra mim.
Vejo a bagunça da casa. Estava tudo bem até agora há pouco. Agora subitamente se transformou em algo vergonhoso até.
Penso em uma questão de relacionamento. O que me parecia dificil de lidar, algo pantanoso, nesse novo olhar me parece muito claro e simples.
Será que é essa a tal da transformação da consciência, estar consiciente?
Como manter isso?
Não dá pra exigir um “nível de consciência” de uma outra pessoa, ou seja, que ela veja o que você está vendo.
Começar um dia com celular: um dia vazio que parece cheio. Começar um dia sem celular: um dia cheio que parece vazio.
Alguns dias atrás entrei num fio no Threads onde pessoas estavam reclamando de impostos. Eu penso o seguinte: imposto é imposto, se você em algum momento considera que aquele dinheiro é teu, você vai sofrer na hora de pagar. Eu tenho internalizado que aquele dinheiro não é meu desde o começo, então não sofro na hora de pagar.
Uma pequena mudança de perspectiva - faz toda a diferença.
Se a gente coloca a responsabilidade total sobre o sucesso de uma relação (ou um empreendimento) nas nossas costas, isso acaba se tornando um peso muito grande, o sucesso depende só de você (ou das partes envolvidas).
No entanto, se colocarmos numa inteligência maior (Deus, iśvara, etc) um pouco do peso sai das nossas costas.
Ao tentar controlar uma relação, uma situação, etc, no geral queremos que ela vá ou se mantenha em um lugar conhecido (controle). Quando deixamos para iśvara nos guiar, cuidar, etc, damos mais espaço para o desconhecido, para possibilidades se abrirem.
Essa pequena mudança de perspectiva também faz toda a diferença.
Estou aprendendo a fazer o puja também pra isso, pra internalizar melhor essa lembrança de iśvara.
Karma yoga é isso, fazer o melhor possível com o entendimento que o resultado não está nas nossas mãos.
Meme wars
Tudo é meme
Aquela nossa necessidade de falar pros outros, na verdade cagando regra ou falando/afirmando o que é certo.
Quantas interações sociais são isso? (meio chato isso né?)
Interações sociais mais profundas são isso né, quando uma pessoa fala uma coisa a gente não pode só contar o que a pessoa falou, a gente precisa conversar mais pra saber o que a pessoa quis dizer, isto é, o significado daquelas palavras para aquela pessoa.
vi um videozinho no perfil da psicóloga Louise Madeira. Tenho que confessar, foi um gatilho. Antes de responder qualquer coisa lá, senti que preciso refletir um pouco sobre o desconforto que eu senti. Vou tentar colocar:
- (O homem) não precisa saber consertar a torneira da pia, ou a luz do óleo do carro, ou a porta, e tá tudo bem. Eu por exemplo quando não sei pago pra alguém vir resolver.
- Relação amorosa é servidão? Se sim, é só isso?
- Mulher só se relaciona com homem porque ele resolve coisas pra ela?
- Homem só tem valor enquanto ele está resolvendo coisas pra mulher?
- Traição não se justifica.
- (Sem falar sobre pagar serviços com sexo, etc….)
Notas do retiro com a Júlia nesse fim de semana (retiro sobre o masculino / interação com o feminino, etc)
Sinto que tiveram muitos mais assuntos abordados, muito mais notas podiam ter sido feitas. Há um espaço grande de lembrança e elaboração em cada item aí.
atração
- não levar para o lado sexual
- não bloquear a energia
O que fazer com essa energia?
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deixar ela se espalhar pelo corpo, ver onde ela vai tocar
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quando tocar, ver esse lugar, deixar a energia amadurecer
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pode abrir uma emoção ou sabedoria
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aprender a sentir. Suportar o que se está sentindo.
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começa o progresso de deixar de ser menino e virar homem.
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O homem tem a função com a mulher da estabilidade (experiência do silêncio)
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mulheres não tem uma raiz
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a vida é feita de prazer
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quando se perde o prazer perde-se o contato com a energia vital
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trabalho - por que precisa ser sobrecarregado/tenso?
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há uma associação de prazer com a sexualidade, mas que não precisa ser direcionada para sexo.
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ter desejo é bom. Transformar em diversos prazeres.
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prazer não está condicionado ao órgão sexual
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o Homem tende a tolhar o prazer porque está muito associado ao sexo.
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o Homem odeia a Mulher por causa do que ela gera nele.
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misoginia existe porque o homem não sabe lidar com o desejo sexual, acredita que o desejo sexual é sexo (isso é desejo de vida).
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energia baixando porque castra o desejo sexual
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desenvolver o sistema nervoso (pra aguentar as sensações, etc)
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como olhar? Olhar e sentir, sem invasão
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falta de sentido associada com castração sexual
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desejo de virar monge - é genuíno ou vazio?
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desejo de tocar o infinito, não necessariamente de ser monge.
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astrologia: cabeça do dragão: mostra o caminho evolutivo. No meu caso: Leão: eu sou, eu tenho e é meu!!!
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cauda do dragão: é muito confortável (ficar mofando). No meu caso: Aquário: diluição
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Homem aprender a elevar a energia que a mulher gera nele
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Homem tem uma submissão natural à energia da mulher
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canalizar: ou devoção ou destruição
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não é inferior à mulher (ilusão: ser inferior)
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Mulher também precisa do Homem
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A energia do Homem também é uma necessidade da Mulher
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não tem a ver com sexo, mas com evolução
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deixar a energia florescer e ser transformada em ação
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homem precisa se submeter (à energia feminina?) e vice versa
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ser pequeno não significa ser inferior, significa ser receptivo
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hoje em dia as mulheres ficaram exigentes demais
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mulher acha que o homem é descartável, mas ela também não está feliz nesse lugar. Há uma dificuldade maior (hoje) do Homem em se relacionar.
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lidar com as sombras: o outro está me ensinando que tem lugares dentro de mim que não estão harmônicos
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para o relacionamento ser evolutivo, tem que ter espaço para as sombras serem curadas (e não serem atuantes)
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para a cura é necessária uma escuta amorosa
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quando a gente tem uma dor profunda, a gente permite que aquilo brote para a cura
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quando está a dois, a gente tem que ter uma escuta amorosa
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não achar que existe emoção errada ou inapropriada. Existe emoção no lugar errado ou não amadurecida.
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primeiro vem o encantamento.
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intuição sempre conectada com nossa alma
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alma é não humana: “se cagando” para apegos e medos
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se dispor com a alma: se dispor a ser fênix
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(meu) eu sou mais importante que os outros para mim
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missão de vida: não é no lugar de conforto, é no lugar desconfortável que evolui
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religiões: “padronizam” os caminhos…
experiência
- samadhi espontâneo no olhar/apreciação da mulher (experiência de castração na infância)
outros
- Lembrar do graal da monogamia sagrada.
Casamento e relacionamentos: reflexões (1)
- Quando o relacionamento começa a repetir a história que papai e mamãe viveram, é muito forte a nossa reação, ou a gente quer ficar nesse lugar ou quer sair de todo jeito... sentimento muito forte mesmo.
- Ninguém precisa casar ou se relacionar pra ficar bem. Acho que pra ficar bem, precisa fazer meditação/se cuidar, não se esquecer de si mesmo. E ter gratidão pela vida e pelas coisas da vida. Isso pra começar.
- Eu pensei muito há tempos sobre a motivação ideal pra se buscar um relacionamento longo. Um pensamento que eu tinha era que não deve ser o amor a principal motivação (dá pra amar muita gente, não precisa morar junto pra amar). O amor é essencial mas não é suficiente.
- Pensei que uma motivação, além do amor, é ter planos em conjunto, querer construir uma coisa juntos. Mas pelo que entendo agora, pode não ser suficiente também.
- Duas coisas me chamaram a atenção nesses dias quando eu estava tendo essa reflexão:
- A primeira é uma história de uma mulher que resolve ter um filho com o melhor amigo (no caso era gay). Me parece ser uma ideia interessante, os dois tem liberdade, companheirismo, moram juntos, ajudam um ao outro, e tem um grau grande de intimidade (nesse caso não sexual, mas o resto tem) e cumplicidade.
- A segunda foi uma palestra do Caio Fábio, também falando da relação dele com a mulher dele, como ele escolheu ela porque ela é a melhor amiga dele. É uma pessoa que ele pode "dividir o silêncio" nas palavras dele.
- Vale aquela lembrança que vem no yoga, na filosofia e na meditação. A gente não acessa o mundo diretamente, mas por uma casca ou armadura física e mental, e muitas vezes nos perdemos nos sintomas dessa casca. Por exemplo uma dorzinha no corpo, uma angústia ou ansiedade mental ou emocional, pode nos tirar do sério, se a gente não entender que isso não somos nós, não conseguir ver de fora essa situação.
engraçado como depois de uns dias a gente olha pros posts antigos e acha meio infantis, quase que tendo uma certa vergonha alheia. No caso a vergonha não é alheia, mas também não sou eu, é o cara que eu era há alguns dias atrás
fluxo
Milhares de mensagens no zap, milhares de e-mails, centenas de contatos, combinados, trocas de ideias com centenas de pessoas.
Problema pra resolver de tudo quanto é tipo, tudo quanto é jeito.
A gente não vai se lembrar de quase nada daqui a 6 meses… daqui a 5 anos então…
Estamos aqui na Terra, nossos 20 aninhos, flor da idade… PUF… já são 40, cheio de cabelos brancos… PUF… amigos, entes queridos vão indo embora. Experiências legais, românticas etc ficam na memória. Juras eternas de amor são quebradas, jogadas no lixo, ressignificadas…
O mais provável é que em 100 anos depois da nossa morte nem do nosso nome vão lembrar.
E ficamos insistindo em nossas pequenezas, nossa mesquinhez, desejos do ego… Nossos pequenos apegos, medos. Não fazemos (ou fazemos) coisas pensando no que vão pensar de mim…
Mesmo os mais famosos, mais ricos desse mundo vão, mais cedo ou mais tarde passar pela morte. Também um dia ninguém mais lembrará deles. Mesmo assim continuam com seus propósitos egocentrados…
A Grande Invocação
Do ponto de Luz na mente de Deus, flua Luz à mente dos homens; que a Luz desça à Terra. Do ponto de Amor no coração de Deus, flua o Amor ao coração dos homens; que o Amor desça à Terra.
Do centro onde é conhecida a vontade de Deus, o propósito guie as pequenas vontades dos homens; o propósito que os Mestres conhecem e servem. Do centro a que chamamos gênero humano cumpra-se o plano de Amor e de Luz e que aprendamos a transcender todo o mal.
Que a Luz, o Amor e o Poder restabeleçam o Plano Divino sobre a Terra. Que as Forças da Luz iluminem a humanidade. Que o Espírito da Paz difunda-se por todo o mundo. Que o Espírito de Cooperação una todos os homens de boa vontade. Que o Poder Infinito abençoe o esforço dos que trabalham pela Fraternidade Universal, hoje e por toda eternidade.
Oṁ namo Narayaṇāya
Oṁ Tat Sat
constantemente tentando ganhar o jogo
Gasto uma quantidade absurda de esforço tentando ser um cara legal.
Essa é uma constatação que faço, quando, em uma conversa, eu consigo ver alguns sinais na expressão da pessoa, algum sinal de que está gostando do que está ouvindo. Meio que falo alguma coisa buscando um sorriso, um alivio ou algo semelhante.
É como se fosse uma estratégia, algo para quebrar o gelo, coisa assim.
Cheguei à conclusão que há um esforço sim. É um esforço super sutil, está fora da consciência na maioria dos momentos, e que chega a ser quase meu jeito natural de ser.
Faço vários estratagemas para que isso aconteça - essa aprovação - e se for ver bem a fundo muita coisa da minha vida foi feita pra ter isso (talvez a mancha dessa atitude esteja na quase totalidade das coisas que já fiz).
Eu estava lendo o conceito de “Louca Sabedoria” no livro do mestre Chögyam Trungpa. Esse conceito remete a um estado de ser completamente comprometido com a verdade (não qualquer verdade, a Verdade com V maiúsculo). Quando perguntado em que a loucura comum difere da Louca Sabedoria, ele diz:
No caso da loucura comum, estamos constantemente tentando ganhar o jogo. Podemos até mesmo tentar transformar a loucura em alguma espécie de credencial para seguirmos adiante. Podemos tentar magnetizar pessoas com paixão ou destruí-las com agressão, etc. Há um jogo constante acontecendo na mente. O jogo da mente - estratégias constantes acontecendo - pode nos dar algum tipo de alívio ocasional, mas esse alívio precisa ser mantido com uma agressão cada vez maior. Esse tipo de loucura tem que se sustentar o tempo todo, continuamente.
Agora, no meu caso, vejo muito claramente com as relações sociais.
Sendo uma pessoa
Estou pensando em colocar um espelho na minha frente, na minha escrivaninha de trabalho. Porque normalmente eu me esqueço que eu sou uma pessoa.
Explico: não é que eu não esteja ciente que eu sou uma pessoa. Não sou besta nem nada. Mas é porque eu não sou uma pessoa do jeito que as outras pessoas são, para mim, pessoas.
As outras pessoas eu consigo observar diretamente, consigo ver nos olhos, ver a cabeça delas. A minha experiência usual de mim mesmo não é nada disso. Eu preciso ter um instrumento artificial, um espelho por exemplo, pra criar uma abstração na minha mente, pra conseguir entender que eu sou uma pessoa igual às outras pessoas que eu vejo diretamente, com meus próprios olhos.
Isso aí é uma coisa muito óbvia, mas como eu já disse, às vezes eu me esqueço.
Quando eu olho no espelho do banheiro eu estufo o peito, coloco a barriga pra dentro, faço caras. Me lembro como uma pessoa “deve ser”, porque normalmente só o que eu tenho de mim mesmo é um mundo de sensações internas: membros que respondem à minha vontade, sensações físicas, pensamentos e emoções.
Tema para meditação.
Mantra do Buddha da Medicina
TAYATA / OM BEKANDZE BEKANDZE / MAHA BEKANDZE RADZA / SAMUDGATE SOHA
Bekandze significa “eliminação da dor”, ou cura; Maha Bekandze significa “grande eliminação da dor”. Uma explicação para o significado do primeiro bekandze é que ele se refere à eliminação da dor do verdadeiro sofrimento, não apenas a dor da doença mas sim de todos os problemas. Elimina a dor da morte e renascimento que é causada por karma e pensamentos perturbadores. O primeiro bekandze elimina todos os problemas do corpo e mente, inclusive aqueles advindos de doença e idade avançada.
O segundo bekandze elimina a verdadeira causa do sofrimento, que não é externa, mas existe dentro da mente. Este bekandze se refere ao karma e pensamentos perturbadores. Uma causa interior é o que permite que fatores externos, como comida e exposição ao sol, se tornem condições para a doença.
Cientistas dizem que uma exposição intensa ao sol causa câncer de pele. No entanto, sem primeiro uma causa na mente, não há nada que possa fazer com que fatores externos se tornem condições para a doença. A exposição à luz solar é uma condição para o câncer de pele, mas esta não é a principal causa. Para aqueles que criaram a causa interna para ter câncer de pele, o fenômeno externo da luz solar pode se tornar condição para o câncer de pele.
Se alguém criou a causa, enquanto não fizer nada para se purificar dela, a causa vai definitivamente trazer seu próprio resultado; assim como uma semente que é plantada vai germinar e crescer, desde que não seja comida pelos pássaros, e etc. Uma vez que há uma causa, se não houver um obstáculo, é natural que a causa trará seus resultados.
Desta forma, o segundo bekandze se refere à eliminação da causa dos problemas, karma motivado por pensamentos perturbados.
A terceira frase, maha bekandze, ou “grande eliminação”, se refere à eliminar mesmo as impressões mais sutis deixadas na consciência por pensamentos perturbadores.
O mantra do Buddha da Medicina contém o remédio para todo o caminho gradual da iluminação. O primeiro bekandze contém o remédido do caminho para os seres menos capazes, em geral; o segundo bekandze, do caminho dos seres medianamente capazes; e maha bekandze, o caminho dos seres altamente capazes. O caminho gradual competo do início até a felicidade da iluminação plena está contido no Mantra do Buddha da Medicina.
Recitar o mantra deixa impressões em nossa mente, de forma que nós também nos tornamos capazes de realizar o caminho contido no mantra. Estabelece a bênção do caminho completo em nosso coração; nós podemos gerar o caminho gradual completo para a iluminação; este significado está contido no mantra “bekandze bekandze maha bekandze”.
O OM (AUM) é composto de três sons, que significam respectivamente o completamente puro e iluminado corpo, iluminada fala e iluminada mente do Buddha da Medicina. Realizar o caminho completo da iluminação purifica nosso corpo impuro, fala, e mente, e transforma eles no corpo puro, fala pura e mente pura do Buddha da Medicina. Nós então nos tornamos perfeitos guias para o seres vivos.
Com nossa mente onisciente somos capazes de, sem esforço, ver diretamente, sem erro o nível mental de cada ser vivente e todas as maneiras de trazê-los para a felicidade, para a felicidade cristalina da iluminação plena.
Também temos o poder perfeito de manifestação em várias formas, para prover cada ser vivo, e revelar os métodos necessários para guia-los, por exemplo dar ajuda material, educação ou ensinamentos do Dharma. Quando a impressão positiva deixada por ações do passado amadurecem, sem demorar um só segundo, podemos revelar várias maneiras de guiar os seres vivos para a iluminação.
A parábola de Mushin
Há muito tempo, numa cidade chamada Esperança, vivia um rapaz chamado Joe. Ele estava muito dedicado ao estudo do dharma e, por isso, tinha um nome budista: Mushin.
Sua vida era igual à de todo mundo. Ia para o trabalho e tinha uma boa esposa; mas, apesar de seu interesse pelo dharma, era machão, sabido, amargo. Aliás, era tanto desse jeito que um dia, depois de ter criado toda espécie de confusão no trabalho, seu patrão lhe disse: “Basta, Joe. Você está despedido!”. Assim Joe saiu. Desempregado. Quando chegou em casa, encontrou uma carta da esposa na qual dizia: “Para mim chega, Joe. Fui embora. Foi desta maneira que ele ficou com o apartamento, consigo mesmo, e nada mais.
Mas Joe, Mushin, não era alguém que desistia com facilidade. Jurou que embora não tivesse emprego nem esposa iria conseguir aquilo que realmente importava: a iluminação. Foi até a livraria mais próxima. Procurou nas edições mais atualizadas como chegar à iluminação. Encontrou um livro que lhe chamou a atenção em particular. Chamava-se How to catch the train of enlightenment (Como pegar o trem da iluminação). Comprou-o e começou a lê-lo com muito cuidado. Depois de tê-lo estudado até o fim, foi para casa e abriu mão do apartamento, colocou todos os seus pertences seculares numa mochila e dirigiu-se à estação ferroviária nos limites da cidade. O livro dizia que se a pessoa seguisse todas as instruções - faça isso, faço aquilo - o trem chegaria e ela conseguiria pegá-lo. Ele pensou: “Fantástico!”.
Joe foi até a estação ferroviária, que era um local deserto, leu o livro mais uma vez, decorando as instruções, e acomodou-se para esperar. Esperou muito tempo. Por dois, três, quatro dias, esperou a chegada do Trem da Iluminação porque o livro dizia que viria com certeza. Ele tinha uma fé imensa no livro. Quando, no quarto dia, ouviu aquele enorme rumor à distância, aquele resfolegar imenso. Sabia que devia ser o Trem. Então se aprontou. Ficou tão excitado porque o Trem estava vindo, que mal conseguia acreditar… e… uuush… o Trem passou direto! Foi tão rápido que não passou de uma mancha. O que tinha acontecido? Ele não tinha conseguido pegá-lo.
Joe ficou admirado, mas não desanimou. Pegou de novo o livro e estudou mais alguns outros exercícios; trabalhou bastante enquanto sentava-se na plataforma, entregando tudo que tinha àquela decisão. Cerca de três ou quatro dias depois ouviu de novo o imenso barulho ao longe e, desta vez, estava seguro de apanhar o Trem. De repente, lá estava ele… uusshh… passando sem parar. Bem, o que fazer? E evidente que havia um Trem, não era o caso de não existir. Ele sabia disso, porém não conseguiu apanhá-lo. Então, estudou e tentou cada vez mais, trabalhou sem parar e toda vez acontecia a mesma coisa.
Com o tempo, outras pessoas também foram à livraria e compraram o livro. Então, Joe começou a ter companhia. Primeiro eram umas quatro ou cinco pessoas, esperando pelo Trem, e logo depois reuniram-se trinta ou quarenta. A excitação era imensa! Ali estava a Resposta, vindo sem sombra de dúvida. Todos podiam ouvir o barulho que o Trem fazia ao passar e, apesar de ninguém jamais conseguir subir nele, havia uma grande fé de que algum dia, de algum jeito, um deles finalmente o apanharia. Se ao menos uma só pessoa conseguisse pegá-lo, serviria de inspiração para as demais. Assim, foi aumentando a pequena multidão e a excitação era maravilhosa.
Com o tempo, porém, Mushin observou que algumas daquelas pessoas traziam seus filhos pequenos. E ficavam tão absortas procurando pelo Trem que, quando as crianças queriam a atenção de seus pais, estes lhes diziam: “Não incomodem, vão brincar!”. Aquelas criancinhas estavam realmente sendo negligenciadas. Mushin, que afinal de contas não era um sujeito tão ruim assim, começou a ponderar: “É, cara, eu bem que gostaria de esperar o Trem, mas alguém tem de tomar conta dessas crianças”. Por isso, começou a dedicar um certo tempo a elas. Olhou em sua mochila e tirou de lá nozes, passas e barras de chocolate e distribuiu tudo entre a garotada. Algumas estavam mesmo esfomeadas. Os pais que estavam esperando pelo Trem não pareciam sentir fome, mas seus filhos sentiam, e estavam com os joelhos esfolados. Então, Mushin encontrou uns curativos na mochila, cuidou dos arranhões, e depois leu para eles histórias dos livrinhos que tinham.
Começou a acontecer que, embora ele ainda desse uma certa atenção para o Trem, as crianças passaram a ser sua principal preocupação. Havia um número cada vez maior delas. Em poucos meses havia adolescentes também e com a chegada deles acumulou-se muita energia e vigor. Mushin então organizou os adolescentes e criou um time de beisebol atrás da estação. Começou a cultivar um jardim para mantê-los ocupados, e chegou a incentivar algumas das crianças mais ordeiras a ajudá-lo. Antes que percebesse, ele tinha um grande empreendimento em andamento. Tinha cada vez menos tempo para o Trem e estava com raiva disso. O que era importante estava acontecendo com os adultos que esperavam pelo Trem, contudo ele tinha de tomar contar de tudo aquilo com os garotos e assim sua raiva e amargura estavam fervilhando. Porém, independente disso, sabia que tinha de cuidar das crianças e tomava conta delas.
O tempo passava, e centenas e milhares de observadores do Trem chegavam com seus filhos e parentes. Mushin estava tão atolado com as necessidades das pessoas que teve de aumentar as instalações da estação. Providenciou mais alojamentos para dormir; teve de construir um correio e escolas, e estava sempre ocupado, mas sua raiva e seu ressentimento também estavam bem ali. “Sabe, só estou interessado na iluminação. Aquelas outras pessoas todas estão esperando o Trem e o que eu estou de fato fazendo?” Entretanto, continuava tomando conta de tudo.
Então, certo dia, lembrou-se de que embora tivesse dado a maioria dos livros que tinha em seu apartamento, por algum motivo, tinha guardado um pequeno volume. Pegou-o de dentro da mochila. O livro era How to do zazen (Como fazer zazen). Agora Joe tinha um novo conjunto de instruções para estudar, e essas não pareciam tão ruins. Acomodou-se para aprender como fazer zazen. Bem cedo de manhã, antes que os outros se levantassem, ele se sentava em uma almofada para praticar um pouco. Com o passar do tempo, aquele programa frenético e exigente de trabalho em que inadvertidamente se envolvera não lhe parecia mais tão opressor. Começou a pensar que talvez existisse alguma ligação entre este zazen, este sentar, e a paz que estava começando a sentir. Uns poucos na estação também começavam a ficar desencorajados com o Trem que não conseguiam apanhar, e começaram a se sentar com Joe. O grupo fazia zazen todas as manhãs e, ao mesmo tempo, a empresa da espera-do-Trem continuava em expansão. Na próxima estação, logo mais abaixo na linha, havia uma colônia inteiramente nova de aguardadores do Trem. Os mesmos problemas de sempre já estavam aparecendo ali, por isso seu grupo ia até lá de vez em quando para ajudar a solucionar as dificuldades. Chegou mesmo a ser construída uma terceira estação… um trabalho infindável.
Estavam todos trabalhando muito mesmo. De manhã à noite alimentavam as crianças, faziam serviços de carpintaria, administravam o correio, instalavam uma nova clínica pequena, tudo que uma comunidade precisa para funcionar e sobreviver. Nesse tempo todo eles não estavam conseguindo esperar pelo Trem. As coisas apenas se mantinham em andamento. Eles conseguiam ouvir o barulhão e ainda restava um pouco de ciúme e de amargura. Contudo, apesar disso, eram forçados a admitir, não era mais o mesmo. Estava ali, mas também não estava. O ponto de mutação para Mushin ocorreu quando tentou fazer uma coisa que seu livrinho descrevia como sesshin. Reuniu-se com seu grupo, num canto da estação ferroviária, criaram um espaço em separado e durante quatro ou cinco dias praticavam intensamente o zazen. De vez em quando ouviam o trovejar do Trem à distância, mas ignoravam-no e continuavam sentados. Apresentaram essa difícil prática também nas demais estações.
Mushin estava agora com cinqüenta e poucos anos. Demonstrava o efeito do tempo de tensão e de trabalho. Estava ficando arcado e cansado. Mas, nesse momento, não se preocupava mais com as coisas da mesma maneira que antes. Esquecera-se das grandes questões filosóficas que costumavam apreendê-lo: “Existo de fato?"; “A vida é real?"; “A vida é um sonho?”. Estava tão ocupado sentado e trabalhando que tudo o mais se esvanecia, exceto o que precisava ser feito a cada dia. A amargura desapareceu. As grandes questões desapareceram. Finalmente, não havia mais nada para ele, exceto o que tinha de ser feito. No entanto, Mushin não sentia mais que era o que tinha de ser feito; apenas o fazia.
Havia, por essa época, uma comunidade imensa de pessoas nas estações ferroviárias, trabalhando, vindo com seus filhos, além dos que estavam esperando pelo Trem. Algumas destas voltavam aos poucos para a comunidade, enquanto outras iam chegando. Mushin por fim começou a amar as pessoas que também estavam esperando pelo Trem. Ele as servia e as ajudava a esperar. Isso prosseguiu por muitos anos. Mushin foi ficando cada vez mais velho e cansado. As questões que tinha foram acabando até não restar mais nenhuma. Havia apenas Mushin e sua vida, fazendo a cada segundo o que precisava ser feito.
Certa noite, por uma razão ou outra, Mushin pensou: “Vou ficar sentado a noite toda. Não sei por que desejo fazer isso. Vou apenas fazê-lo”. Para ele, o sentar não era mais uma questão de ir em busca de alguma coisa, de tentar melhorar, de tentar ser santo. Todas aquelas idéias já se desfizeram há muitos anos. Para ele, não havia mais nada, exceto sentar: ouvir uns poucos carros passando ao longe. Sentir o ar frio noturno. Apreciar as mudanças que se processavam em seu corpo. Mushin sentou a noite inteira e, com o raiar do dia, ouviu o ruído do Trem. Então, muito devagar, este acabou parando exatamente em sua frente. Foi quando percebeu que desde o início tinha estado no Trem. Aliás, ele era o próprio Trem. Não havia necessidade de pegá-lo. Nada a compreender. Lugar algum aonde ir. Apenas a totalidade da própria vida. Todas as antigas questões que não eram questões se respondiam por si. Finalmente, o Trem evaporou e havia apenas um velho sentado noite afora.
Mushin espreguiçou-se e levantou-se da almofada. Saiu para preparar o café que compartilharia com quem estava chegando para trabalhar. A última vez em que o viram foi na carpintaria com alguns dos meninos mais velhos, construindo um balanço para o parquinho. Essa é a história de Mushin.
O que Mushin descobriu? Deixarei que vocês respondam.
Extraído do livro: BECK, Charlotte Joko. Sempre Zen - Como introduzir a prática do Zen em seu dia a dia
As Cinco Lembranças
- Eu pertenço à natureza do envelhecimento; não há nenhum modo de escapar do envelhecimento.
- Eu pertenço à natureza das doenças; não há nenhum modo de escapar de sofrer alguma doença.
- Eu pertenço à natureza da morte; não há nenhum modo de escapar da morte.
- Tudo aquilo que me é querido e todos que amo pertencem à natureza da impermanência. Não há nenhum modo de evitar me separar deles algum dia.
- Minhas ações são meus únicos verdadeiros pertences. Eu não posso escapar às conseqüências de minhas ações. Minhas ações são o solo sobre o qual eu piso.
Índios Sioux
Conta uma velha lenda dos índios Sioux, que uma vez, Touro Bravo, o mais valente e honrado de todos os jovens guerreiros, e Nuvem Azul, a filha do cacique, uma das mais formosas mulheres da tribo, chegaram de mãos dadas, até a tenda do velho feiticeiro da tribo …
- Nós nos amamos… e vamos nos casar - disse o jovem.
- E nos amamos tanto que queremos um feitiço, um conselho, ou um talismã… alguma coisa que nos garanta que poderemos ficar sempre juntos… que nos assegure que estaremos um ao lado do outro até encontrarmos a morte. Há algo que possamos fazer?
E o velho emocionado ao vê-los tão jovens, tão apaixonados e tão ansiosos por uma palavra, disse:
- Tem uma coisa a ser feita, mas é uma tarefa muito difícil e sacrificada… Tu, Nuvem Azul, deves escalar o monte ao norte dessa aldeia, e apenas com uma rede e tuas mãos, deves caçar o falcão mais vigoroso do monte… e traze-lo aqui com vida, até o terceiro dia depois da lua cheia.
E tu, Touro Bravo - continuou o feiticeiro - deves escalar a montanha do trono, e lá em cima, encontrarás a mais brava de todas as águias, e somente com as tuas mãos e uma rede, deverás apanhá-la trazendo-a para mim, viva!
Os jovens abraçaram-se com ternura, e logo partiram para cumprir a missão recomendada… no dia estabelecido, à frente da tenda do feiticeiro, os dois esperavam com as aves dentro de um saco.
O velho pediu, que com cuidado as tirassem dos sacos… e viu eram verdadeiramente formosos exemplares…
- E agora o que faremos? - perguntou o jovem - as matamos e depois bebemos a honra de seu sangue?
Ou cozinhamos e depois comemos o valor da sua carne? - propôs a jovem.
- Não! - disse o feiticeiro, apanhem as aves, e amarrem-nas entre si pelas patas com essas fitas de couro… quando as tiverem amarradas, soltem-nas, para que voem livres…
O guerreiro e a jovem fizeram o que lhes foi ordenado, e soltaram os pássaros… a águia e o falcão, tentaram voar mas apenas conseguiram saltar pelo terreno. Minutos depois, irritadas pela incapacidade do vôo, as aves arremessavam-se entre si, bicando-se até se machucar.
E o velho disse: Jamais esqueçam o que estão vendo… este é o meu conselho. Vocês são como a águia e o falcão… se estiverem amarrados um ao outro, ainda que por amor, não só viverão arrastando-se, como também, cedo ou tarde, começarão a machucar-se um ao outro…
Se quiserem que o amor entre vocês perdure…
“Voem juntos… mas jamais amarrados”.
Practicar sin la motivación basada en el ego
*por: Lama Guendun Rinpoche *
Uno de los defectos principales de un practicante es pensar: ‘Yo soy el que practica, de modo que ‘yo’ seré el que realizará esto y lo otro a través de mi práctica’. Mientras creamos que somos los que practicamos y que cualquier resultado que obtengamos se deberá a que hicimos el esfuerzo necesario, estaremos completamente equivocados. De esta actitud no obtendremos nada más que un mayor apego al ego y una mayor arrogancia.
Deberíamos pensar justamente lo opuesto: todo lo que emerge a través de nuestra práctica es gracias al Dharma. Todas las cualidades que aparecen lo hacen sólo a través el Dharma. Únicamente gracias a la calidad, el poder y la pureza del propio Dharma, puede cambiar algo en nosotros. Ésta es la manera en que todos los grandes bodisatvas han practicado. No hay nada que proceda del individuo; todo surge debido a la calidad de la enseñanza. Ha través de su relación con el Dharma, un practicante ordinario puede transformarse y convertirse en un gran bodisatva. Ninguna de las cualidades que surgen en un gran bodisatva tiene que ver con la persona individual. Son las mismas cualidades que se encuentran en todos los bodisatvas, porque proceden del mismo Dharma expresando las cualidades de la enseñanza misma. Debemos sentirnos contentos y pensar: ‘He decidido definitivamente practicar el Dharma; no hay nada que me interese más en esta vida.
Quiero dedicarle mi vida por completo. Todo lo que obtenga a través de mi práctica se lo debo al Dharma; no tiene nada que ver conmigo. No voy a enorgullecerme de los resultados como si fueran míos’. Cuando nos entregamos de esta manera y simplemente practicamos el Dharma sin especular sobre el resultado, nos abandonamos completamente a la práctica. No esperamos nada de ella. Abandonamos todo apego a las experiencias y resultados de la misma y nos comprometemos a la actividad del Dharma. De esta manera pueden desarrollarse las verdaderas experiencias y realizaciones. Pero primero debemos abandonar por completo este sentimiento de: ‘Soy yo el que estoy practicando; soy yo el que estoy obteniendo resultados’, en el que siempre lo atribuimos todo al ‘yo’. Si no lo hacemos así simplemente estaremos alimentando el ego, lo cual revela una falta de confianza en la enseñanza. Si tenemos una confianza completa en el Dharma, abandonaremos todo sentimiento de ‘yo’. Simplemente practicaremos y entonces el Dharma empezará a trabajar y tendrá lugar la verdadera transformación. Ésta es la única forma de desarrollo de toda experiencia y realización.
De esta manera podemos medir el progreso en nuestra práctica. Si pensamos: ‘Yo he estado practicando y ‘yo’ he realizado…’, entonces el único resultado de nuestra práctica es que nuestro sentimiento de ‘yo’ se irá volviendo más y más preponderante, de manera que nuestra práctica será completamente errónea puesto que el propósito del Dharma es reducir la influencia del ego. Pero si pensamos: ‘No soy un buen practicante, no poseo las verdaderas cualidades’, eso muestra que nuestro sentimiento del ‘yo’ está debilitándose y haciéndose más sutil y que estamos volviéndonos genuinos practicantes. Un verdadero practicante del Dharma es alguien que constantemente está dejando de lado su propio beneficio y la preocupación por sí mismo.
Querer Mesmo!
É difícil conseguir o que se quer. Só se torna menos difícil quando se quer mesmo !
O navegador Amyr Klink, ao ser perguntado por um repórter sobre o que sentia a respeito das pessoas que passam 30 anos trabalhando no mesmo escritório, sentadas a vida inteira diante da mesma escrivaninha, respondeu: “Inveja”. Klink admira quem consegue ser feliz numa rotina imutável e tediosa. Como ele não consegue, sai pelo mundo em busca de desafios.
Foi uma resposta provocativa. Inveja é justamente o que nós, seres confortavelmente acomodados, sentimos de Amyr Klink quando o vemos excursionar por cenários glaciais de tirar o fôlego e fazendo a superação dos seus medos a sua rotina. Qual o segredo desse cara, afinal, para conciliar família e aventura ? A gente também adoraria essa vida, mas a diferença entre ele e nós, acreditamos ingenuamente, é que ele tem patrocínio para sua falta de juízo, enquanto que nós temos juízo de sobra e dinheiro contadinho no final do mês.
Na verdade, nossa resignação é conveniente, já que realizar sonhos dá muito trabalho. A única diferença entre ser um navegador e ser uma economista-que- sonha-em-ser-um-navegador é que um quis mesmo. O outro não quis tanto assim.
Para romper convenções, e arriscar-se no desconhecido, é preciso querer mesmo. Querer mesmo escalar uma montanha, querer mesmo surfar uma onda assassina, querer mesmo filmar um documentário na África, querer mesmo ser correspondente de guerra, querer mesmo trabalhar na Nasa, só para citar outras aventuras supostamente inatingíveis. Querer mesmo, em vez de apenas querer, abre a cancela de qualquer fronteira, seja ela geográfica ou emocional.
Antes de alcançar os pontos mais indevassáveis da Antártica a bordo de barcos equipados com alta tecnologia, Klink remou bastante, não ficou em casa mentalizando seu sonho. Querer mesmo significa abrir mão de uma série de confortos, tomar muito chá de banco, ver inúmeras idéias darem errado antes de darem certo. E, em troca, ser chamado de doido varrido.
Querer, a gente quer muita coisa. Mas quase sempre é um querer preguiçoso, um querer que não nos impulsiona a levantar da cadeira, ainda mais quando nosso projeto tem 0,5% de chance de sucesso. É difícil conseguiu o que se quer. Só se torna menos difícil quando se quer mesmo. Pena que alguns só querem mesmo é ser rico ou ser gostosa, para isso fazendo coisas muito mais insanas do que faz Amyr Klink. O que todos deveriam querer, mas querer mesmo, é fugir da mediocridade.
*Fonte: Jornal ZeroHora (colunista Martha Medeiros) *
Watching the Wheels
People say I’m crazy doing what I’m doing Well they give me all kinds of warnings to save me from ruin When I say that I’m o.k. well they look at me kind of strange Surely you’re not happy now you no longer play the game
People say I’m lazy dreaming my life away Well they give me all kinds of advice designed to enlighten me When I tell them that I’m doing fine watching shadows on the wall Don’t you miss the big time boy you’re no longer on the ball
I’m just sitting here watching the wheels go round and round I really love to watch them roll No longer riding on the merry-go-round I just had to let it go
Ah, people asking questions lost in confusion Well I tell them there’s no problem, only solutions Well they shake their heads and they look at me as if I’ve lost my mind I tell them there’s no hurry I’m just sitting here doing time
I’m just sitting here watching the wheels go round and round I really love to watch them roll No longer riding on the merry-go-round I just had to let it go I just had to let it go I just had to let it go